Idoso de 68 anos é encontrado morto em Jaboticabal

Idoso de 68 anos é encontrado morto em Jaboticabal

Um senhor de 68 anos foi encontrado morto no Jardim Das Rosas na tarde dessa terça feira(19/11). É a segunda tentativa de suicídio nos últimos dias, já que no último sábado ele também teria tentado tirar a própria vida.

A equipe do Jornal Cidades deseja as mais sinceras e profundas condolências aos familiares e amigos nesse momento tão doloroso. O índice de suicídio na cidade assusta, sendo o maior do país(em relação ao número de habitantes), superando até mesmo cidades grandes, como São Paulo.

Sobre o tema suicídio, pesquisadores e acadêmicos já vieram pra Jaboticabal de outros lugares do país pra tentar entender quais fatores psicológicos, sociais e urbanos contribuem para os altos índices em nossa população. Embora seja um tema muito subjetivo, os pesquisadores concordam que a falta de oportunidades profissionais, poucas opções de lazer e vida noturna, incompreensão familiar e social, negligência para com a própria saúde mental(além de negligência das pessoa ao redor, que não sabem como lidar com depressão, ansiedade, fobia social etc), filas prolongadas do atendimento especializado em saúde mental pelo SUS, preços exorbitantes no atendimento em saúde mental de clínicas e profissionais particulares, entre outros, são todos fatores que contribuem pra esse índice. Como se vê, é um tema complexo, podendo ser estudado através de perspectivas sociológicas, da psicologia, da sociologia do trabalho…

Editorial: O suicídio NÃO É solução. O Centro de Valorização à Vida trabalha com prevenção ao suicídio e atendimento gratuito de apoio emocional, podendo ser consultado através do telefone 188, de maneira gratuita. Existem profissionais da saúde mental com atendimento humanitário que oferecem descontos a pessoas de baixa renda. A todos que compartilham de pensamentos depressivos e suicidas, antes do dedo apontado, vale a compreensão e a empatia. De que aquela é uma dor legítima, com razão de ser. A alta incidência de suicídio em nosso município provoca o debate sobre a negligência para com as pessoas depressivas, com comentários como “mas você já tentou melhorar e sair dessa cama?”. A depressão deve ser encarada como ela é: uma das maiores e mais incapacitantes doenças do século XXI. Se você não diria pra alguém que quebrou a perna tentar ser otimista e sair andando, não diga a um portador de depressão que o problema está em como ele vê a vida. São fatores químicos, biológicos, genéticos, sociais, psicológicos…

Talvez, quando mudarmos em nossa estrutura a maneira como a sociedade encara as pessoas depressivas, esse índice comece a se alterar.

O Buzzfeed, em artigo, compartilhou relatos de voluntários associados ao CVV.

“Um atendimento marcante foi de uma pessoa idosa que morava sozinha e se sentia extremamente só. Ela ligou para ouvir um simples ‘boa noite’ de alguém, como se fosse só para se sentir viva. Depois acabou conversando um pouco”.

“A ligação que mais me marcou foi da pessoa que ligou, pegou um violão e queria mostrar as músicas que compôs”.

“Uma pessoa falou que estava em um hospital com uma doença em estado avançado e queria alguém para compartilhar seu momento”.

“A ligação que mais me marcou foi de uma pessoa que pela primeira vez fez um bolo que deu certo, mas que teria que comer sozinha porque não tinha com quem dividir”.

“Uma coisa muito importante que aprendi no CVV, e que trago para a minha vida, é não aconselhar. Cada um tem uma história, criação e maneira de enxergar o mundo que é muito própria. Não me sinto em condições de dar algum conselho, pois minha visão a respeito do assunto sempre será limitada. Além do mais, o que é bom para mim não necessariamente será bom para o outro. O que posso fazer é acolhê-lo, ouvi-lo, respeitá-lo, para que, ao falar e reduzir a pressão, ele mesmo se ouça e tire suas próprias conclusões”.

“Era madrugada e um jovem disse que estava pensando em suicidar-se, por isso ligou. Eu atendi com respeito e ouvi suas lamentações. Foi o suficiente para ele desligasse já não pensando mais em suicídio.”

O artigo completo do Buzzfeed pode ser acessado clicando aqui.