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Acusada de ‘tribunal do crime’ mantinha atas de julgamentos clandestinos em Guariba, SP, diz MP

Acusada de ‘tribunal do crime’ mantinha atas de julgamentos clandestinos em Guariba, SP, diz MP

Anotações apreendidas pela Polícia Civil com uma das acusadas de integrar um ‘tribunal do crime’ em Guariba (SP) mostram que a organização criminosa mantinha atas com informações dos julgamentos clandestinos realizados, segundo o Ministério Público (SP).

De acordo com o promotor de Justiça Hermes Duarte Morais, o grupo acusado da morte de Samuel Teles de Almeida, em junho deste ano, pode estar ligado a outros 18 casos de tribunais de crimes investigados na região.

Considerado chefe da quadrilha, Jorlano da Silva Laube foi preso em outubro deste ano pelo assassinato de Samuel. Ele teria comandado a execução após ser procurado pela mulher da vítima, Carina Aparecida do Nascimento, que também está presa.

Segundo o Ministério Público, o caderno com as atas apreendidas estava com Jéssica Carolina de Souza, presa em maio deste ano por tráfico de drogas. Conhecida como ‘Perigosa’, ela também é acusada de fazer parte do tribunal do crime que ‘condenou’ Samuel à morte.

No material, constam anotações diárias da organização criminosa, relatórios de audiências e julgamentos paralelos à Justiça, nomes de pessoas apontadas como responsáveis por atos criminosos, valores em dinheiro e números de telefones dos ‘denunciados’, diz a Promotoria.

Em um dos registros, a organização criminosa declara que, em 11 de abril deste ano, um homem foi punido após afirmar que havia estuprado uma criança de seis anos.

“Existem inquéritos ainda em fase de colheita de provas, mas bem avançados. Só aqui na comarca, há cerca de 18 julgamentos que podem ter acontecido desta maneira e mais um com provas, também reunidas de forma satisfatória, prontas para se fazer uma denúncia”, diz Morais.

Divisão de tarefas
A investigação apontou que cada um dos suspeitos tem uma função no tribunal do crime. Segundo o MP, Jéssica e Ygor Floriano Mariano Zanardi, quarto acusado no assassinato de Samuel, tinham a responsabilidade de interrogar e pressionar as vítimas. Já Jorlano seria o coordenador e a autoridade máxima nos julgamentos ilegais.

“Há divisão de tarefas, de maneira ordenada e estruturada, mediante a prática de infrações penais graves como o homicídio, cárcere privado e tráfico de drogas, com o objetivo claro de obter lucro e vantagem pelo poder e temor perpetrado na sociedade”, afirma o promotor na denúncia.

Para o MP, há fortes indícios do envolvimento do trio com uma organização criminosa que age dentro e fora dos presídios. Segundo o promotor, a quadrilha age em total descaso com as instituições, garantindo justiça paralela ao estado.

“Não vai se admitir a constituição de um tribunal clandestino que fará esse tipo de julgamento, com esses requintes de crueldade, literalmente executando pessoas”, afirma Morais.

Os acusados ainda não têm defesa constituída.

FONTE – EPTV RIBEIRAO PRETO