Empregos para os brasileiros… por Welson Gasparini

Empregos para os brasileiros… por Welson Gasparini

Empregos para os brasileiros…

Welson Gasparini*

É cada vez mais complicada a situação da economia brasileira: os  números apresentados sobre o desemprego   no país são, para dizer o mínimo, assustadores. Também impressionam os  dados relativos ao fechamento de empresas, pedidos de falência e recuperação judicial.  Nossa economia parece  um paciente que confundiu a medicação e está agonizando. E não foi por falta de alerta:  ainda durante o funesto período do governo petista economistas independentes, não atrelados ao governo de então, advertiram que o   longo ciclo de juros altos, baixo crescimento econômico e inflação maquiada dariam  no verificado hoje. Enquanto isto, os sinais emitidos pela maior economia do mundo, através do   presidente recém-empossado Donald Trump, não são promissores.  Adotando   uma postura protecionista o novo presidente americano fecha as portas para diversos parceiros comerciais importantes para os Estados Unidos; embora seja pífia a participação brasileira no comércio mundial, o Brasil ainda depende e muito do mercado americano para alguns setores exportadores nacionais. Torna-se até lógico pensar: outros países deverão adotar a mesma medida dos Estados Unidos para garantir proteção a suas empresas e aos seus trabalhadores.

O Brasil deveria, portanto,  imediatamente entender a nova ordem econômica mundial e se reposicionar para não perder ainda mais espaço. Essa, parece, não é a visão dos nossos atuais  dirigentes. Na contramão do que faz o governo americano, a Petrobras convidou  somente empresas estrangeiras para a retomada do Comperj, em Itaboraí, alegando o envolvimento de empresas brasileiras em  escândalos de corrupção. No entanto, das 30 empresas estrangeiras convidadas pela Petrobrás,  23 respondem a processos de corrupção em seus países, algumas até já foram condenadas.

Na minha opinião o Brasil se vê, agora, diante de um dilema crucial: ou  protege suas empresas (evitando o êxodo para países limítrofes, como o Paraguai)  garantindo o emprego de nossos trabalhadores  ou o sofrimento tende a ser maior do que o já assistido hoje.

 O exemplo de Trump – mesmo criticado dentro e fora de seu país – deve servir de alerta às  autoridades   econômicas e políticas de outras nações. Na hora de proteger o interesse americano,  Trump não pensou duas vezes e, em seus primeiros atos, anunciou rompimentos de acordos comerciais prejudiciais à indústria americana, tendo como meta trazer empresas americanas de volta para os Estados Unidos, gerando empregos de americanos para americanos. Não seria esse um bom exemplo a ser seguido pelo Brasil num momento em que o desemprego atinge e sufoca tantas famílias? Ou vai  ficar fingindo  não estar  acontecendo nada enquanto a miséria, o desemprego, a violência e outros males  se alastram pelo país, até mesmo na região de Ribeirão Preto onde se tornaram frequentes invasões de propriedades rurais e arrastões em ônibus urbanos?

*deputado estadual (PSDB), advogado e ex-prefeito de Ribeirão Preto