Notícia de Matão/Taquaritinga
Uma mãe que ora por Rita de Cássia
Postado em 30/07/2020

Uma mãe que ora por Rita de Cássia

Uma mãe que ora


Rita de Cássia Rezende da Costa Vieira1

Confesso que quando minha Professora me pediu para fazer esse texto sobre tudo o que
estamos passando nessa Pandemia da COVID-19, eu pensei até em não fazer, pois seria falar
das mesmas coisas que todos já falam por aí no dia a dia e nas redes sociais.
A vida se transformou em um eterno ciclo de fases, lava as mãos, passa álcool, lava as
mãos novamente, aí passa álcool de novo, coloca máscara, lava máscara, passa máscara, enfim,
virou um ciclo de novas e constantes manias.
Na verdade, acho que todos passamos por mudanças incríveis nessa Pandemia, para uns,
ainda não caiu a ficha, outros tem aquele medinho, mas ainda estão levando uma vida normal.
A única coisa que sei é que mudanças importantíssimas aconteceram na vida de todos,
coisas simples deixaram de ser realizadas e hoje, cada um de nós descobriu o quanto era
essencial na nossa vida um simples aperto de mão e ver aquele sorriso lindo que muitos nos
davam e que hoje fica escondido atrás das máscaras.
Ir nas lojas fuçar as bancas, olhar as vitrines, ir ao mercado e roubar aquela uva na banca,
hoje nada disso é possível e não podemos mais fazer muitas outras coisas porque estamos
correndo o risco de sermos infectados.
Hoje estamos com a vida parada, nada mais se pode fazer, antes podíamos ir à sorveteria
para tomar o sorvete, mas comprávamos um pote e íamos para casa, hoje queremos tomar na
sorveteria; antes podíamos comer o lanche sentado lá na lanchonete, mas fazíamos pedido
delivery “Ah! É mais chique!”, hoje tudo está delivery, mas queremos ir lá, queremos nos sentar
lá no local, e não podemos.
Hoje somos obrigados a não cumprimentar ninguém, mas agora achamos que temos que
cumprimentar a todos, queremos abraçar, queremos falar de perto, queremos nos ver todos os
dias, mas antes sabe como era? “Quando der eu vou!”
Só sei que diante de tudo isso e de muitas outras coisas que, se fosse falar, ficaria aqui
por horas e horas escrevendo, porque ainda temos a questão das aulas que pararam e esse era o
meu último ano para uma colação de Grau da Primeira Turma no Curso em Técnico de
Segurança do Trabalho integrado ao Ensino Médio, que estava sendo esperado ansiosamente
por 15 alunos que já haviam parado no tempo para crescerem de forma rápida e diferente, uns
sendo obrigados a essas escolhas, outros por suas próprias vontades e agora estavam na espera
ansiosa para verem concluída mais essa etapa das suas vidas, e aqui estamos parados de novo!
Dessa vez não por nossas escolhas, mas sim pela COVID-19 que obrigou um planeta inteiro
mudar seus costumes e hábitos.
Hoje nem trabalhar se pode mais, eu, por exemplo, já fiz muitas coisas escondidas, mas
trabalhar está sendo a primeira vez na minha vida que faço isso, que coisa, né?
E aí, se já não bastasse tudo isso, enquanto eu pensava no que colocar aqui, após o
pedido da minha professora de Português no final de semana, uma bomba caiu na minha vida,
e confesso que tudo isso que escrevi acima transformou-se em detalhes, porque, enquanto
preparava o notebook para escrever tudo isso, recebo uma mensagem no aplicativo do celular
WhatsApp: “MÃE, MEU EXAME DEU POSITIVO”! Essa foi uma mensagem que recebi
da minha filha e, se não bastasse ela, meu genro também. Acho que nesse momento entendi a
expressão “buraco negro” que tanto já ouvi falar na minha vida. E, foi nesse momento que
entendi que já sabia exatamente o que escrever aqui neste artigo.
E saber que todos aqueles pequenos detalhes que descrevi acima não são nada perto do
maior detalhe que vou lhes contar agora, eu e minha filha temos o mesmo gênio, SOMOS
TEIMOSAS, então, é impossível não ter rusgas entre mãe e filha, e já estávamos há mais de 20
dias sem falar uma com a outra, e aí eu recebo dela mesma esse RESULTADO POSITIVO
PARA A COVID-19 .


Não tem como não chorar, não se desesperar, não tem como ficar imaginando um monte
de besteiras, quando se vê nas “mídias” explorativas que nos cercam informações de que
milhares de pessoas estão morrendo, estão isoladas, estão sozinhas. Nossa, estou aqui
escrevendo, mas ainda sem saber na verdade o que vai ser agora, a única certeza que tenho
realmente, é que agora não vou poder chegar perto dela nem para cuidar, nem as broncas que
ainda estavam aqui guardadas para dar conseguem espaço nos meus pensamentos, agora a única
coisa que me passa pela cabeça é “o que vai acontecer?”

A única coisa que consegui fazer até agora foi orar, pedir a Deus que cuide da minha filha e do meu genro e escrever aqui aquilo que
me foi pedido. Porque meses atrás já tive uma pessoa bem próxima da minha família na UTI,
nos respiradores. Por causa desse maldito vírus, vi e senti de perto toda dor e agonia da minha
cunhada orando por sua irmã, e agora estou eu aqui nessa mistura de emoções sem saber ainda
qual atitude tomar.


Então deixo aqui meu testemunho que não tem idade, não tem raça, não tem cor, não
tem situação financeira que exclua você de passar por essa situação.

Deixe seu orgulho de lado, ligue, pergunte como está a pessoa que você ama, passe por
cima das coisas e releve, não estamos no momento de achar que as coisas ainda têm que ser do
nosso jeito.
Hoje a única coisa que quero é que ao menos continue como está, porque minha filha e
meu genro estão em casa, e dentro da situação agora diagnosticada estão fora de perigo.
Então fica aqui mais um daqueles clichês:


O Coronavírus é tudo isso e mais um pouco do que todos já falaram, ele tira seu
orgulho, tira sua coragem, tira seu mundo, tira seu trabalho, tira seus amigos, tira sua vida social,
tira sua família, ELE tira seu chão.
Continuem se cuidando e nunca perca a fé, vamos continuar orando por uma Nação que
enfrenta um inimigo invisível.
Rita de Cassia Rezende da Costa Vieira, aluna do 3° Ano do curso em técnico de
Segurança do Trabalho, mas hoje uma “Mãe que Ora por sua Filha e Genro”, apesar que já
estava em oração pelo mundo.

FONTE - Revista Cogitare / do IFSP MATÃO

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